A manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano tem atuado como um dos principais freios aos investimentos no Brasil.
Em um ambiente de crédito caro, empresas tendem a adiar ou diminuir decisões de crescimento e segurar projetos de longo prazo, especialmente em setores que dependem de financiamento, como indústria, construção e infraestrutura.
Uma pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) realizada em novembro de 2025 em parceria com a Nexus expõe esse cenário. Segundo o levantamento, 77% das indústrias afirmaram que aumentariam seus investimentos caso a taxa básica de juros fosse reduzida.
Outro levantamento da confederação mostra que o juro elevado é hoje o principal obstáculo ao acesso ao crédito no país.
Segundo a Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025, realizada em parceria com a ABDE (Associação Brasileira de Desenvolvimento), oito em cada dez empresas industriais que enfrentaram dificuldade para obter empréstimos apontaram os juros como o maior problema nas operações de curto e médio prazo.
Enquanto isso, o levantamento aponta que 32% mencionam entre os problemas exigências de garantias reais, como imóveis e bens móveis; e 17% citam a falta de linhas de financiamento adequadas às necessidades das empresas.
A dificuldade se repete também no crédito de longo prazo, aquele voltado a investimentos estruturais, como expansão de capacidade produtiva e compra de máquinas.
Nesse caso, 71% das empresas apontam os juros elevados como principal entrave, seguidos por garantias reais (31%) e ausência de linhas adequadas (17%).
Esse cenário ajuda a explicar por que investimentos tendem a perder fôlego em ciclos prolongados de juros altos. Mesmo quando há demanda ou projetos prontos, o custo financeiro acaba inviabilizando decisões de expansão.
Um estudo do FMI (Fundo Monetário Internacional) ajuda a entender como esse efeito se forma.
O levantamento mostra que aumentos da taxa básica de juros são rapidamente repassados aos empréstimos cobrados pelos bancos no Brasil. Em média, cerca de 70% da alta da Selic chega às taxas de crédito em até quatro meses.
O estudo é intitulado como “Transmissão da política monetária para as taxas de empréstimo: evidências do Brasil”.
Segundo o FMI, esse repasse é mais forte justamente nas linhas de crédito de mercado, aquelas usadas diretamente por empresas, onde a transmissão da taxa básica é praticamente integral.
Já no crédito direcionado, o impacto é bem menor, em torno de 20%, segundo o estudo.
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| Atualizado em: 25/05/2026 17:10 | ||
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